Bruno Paixão

Em 2001/02 fui nomeado quarto árbitro do Lucílio Baptista para uma pré-eliminatória da antiga Taça UEFA entre o Stade Rennes, de França, e o Aston Villa, de Inglaterra. Viajamos sempre na véspera do jogo, temos de estar lá antes porque no dia da competição, por volta das 10 da manhã, há uma reunião técnica na qual os árbitros têm de estar presentes com os delegados da UEFA, observador, etc.. Só que o voo de Lisboa saiu atrasado ao ponto de quando chegámos a Paris perdermos o avião que fazia trânsito para Rennes. Fomos ao balcão da Air France, e a senhora disse que naquele dia já não havia aviões para lá, só no dia a seguir. Explicámos-lhe que tinha de ser o mais cedo possível porque tínhamos de estar na dita reunião e ela respondeu: “Para chegarem a essa hora têm de ir para o outro aeroporto.” Estávamos em Orly e tínhamos de ir para o Charles de Gaulle ou vice-versa, não me recordo desse pormenor. Apanhámos um mini bus para o outro aeroporto e a senhora da Air France tinha-nos dito que lá deveríamos apanhar um mini bus ainda mais pequeno que nos levaria ao hotel no qual ficaríamos hospedados. Quando chegámos ao aeroporto já não havia mini bus, já não havia nada. Aeroporto fechado. Tudo fechado. Um dos assistentes que ia connosco era o senhor Carlos Matos, o outro era o senhor Jorge Esteves. Ao fim de meia-hora ali a olhar para o nada e sem ninguém tomar a iniciativa para resolver as coisas, o Matos desapareceu. Falou com um segurança, entrou pelo aeroporto e desapareceu. Passado duas horas aparece dentro de um Renault 21 com um emigrante português e a dizer: “Já arranjei boleia para o hotel!” E ele dizia, com muita graça, que em França havia um português em cada esquina e que se o encontrássemos tínhamos o problema resolvido.


Árbitro internacional, ascendeu à primeira categoria com apenas 23 anos e estreou-se na I Divisão em 1997. Hoje soma mais de 200 jogos no principal escalão do futebol nacional.

Esta é uma das 20 histórias inéditas, num total de 100 presentes no livro “Relato – Histórias de Futebol”, que pode ser adquirido em todas as boas livrarias ou encomendado aqui.

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Um comentário sobre “Bruno Paixão

  1. Gostei de ler uma das muitas histórias que tens para contar na tua actividade de Árbitro ! Há sempre muitas histórias ! , é uma actividade de alto risco mas muito emotiva e apaixonante !!!