Bernardo Coelho

Faz um ano que apanhei o avião para as Bahamas. Tinha entrado num satélite, por 700 dólares, onde ganhei o fullpackage para jogar o PCA, PokerStars Caribbean Adventure. É um pacote de 16.800 euros e dá direito a um máximo de onze dias no hotel Atlantis e um buy-in de 10.400 euros para jogar o main event. Participaram 927 pessoas nesse main event, fiquei em 88º e o Ronaldo penso que ficou em 50º. No último dia em que estive em prova, tive a oportunidade de jogar com ele na featuring table, que é a mesa da televisão. Não é a principal, é a segunda mais importante, mas há leitura magnética das cartas e o telespectador consegue ver as mãos dos jogadores.
Penso que o Ronaldo estava a participar pela segunda vez, ele é a cara da PokerStars no Brasil. Estava a ser bancado por eles, tinha o dístico a dizer “PokerStars Friend” e recebe um grande auxílio dos profissionais de poker a nível mundial, que lhe dão dicas. Mas mesmo assim a comunidade acha que ele não joga bem. Foi o primeiro torneio em que foi longe, entrou no dinheiro e conseguiu um resultado bastante simpático.
Para quem percebe de poker e tiver a oportunidade de ver o vídeo vai perceber que ele joga mal naquela jogada, porque não tem posição e põe em causa o torneio dele. Chipa 56 Big Blinds e por acaso estava à frente, mas segundo a minha jogada tinha uma enorme probabilidade de estar atrás e ser eliminado, sem necessidade nenhuma. Um pormenor importante é que naquela fase ainda não estávamos ITM, ou seja, ainda não tínhamos entrado no dinheiro. Quando se entra no dinheiro, muitas vezes a guarda baixa e as pessoas arriscam um bocadinho mais, mas ali 99% dos jogadores têm um comportamento um menos agressivo. Na Internet, quando encontras este vídeo vês milhares de comentários a dizer que ele joga mal. E lá nas Bahamas também acharam. Eu foldei, dei a mão à palmatória e joguei de uma forma conservadora. Ao longo desse dia na featuring table ele pôs-me três vezes All-In e fui sempre obrigado a foldar, nunca o consegui eliminar. Tentei, mas não deu. E ainda entrou uma estrela para a nossa mesa, que é a Liv Boeree. Além de ser uma mulher lindíssima, é talvez a segunda, terceira melhor jogadora do mundo, já deve ter ganho dois ou três milhões. Criou ali uma pressão para um amador como eu, estar na mesa com o Ronaldo e com ela, que já ganhou uma etapa do Europeu de poker, o EPT. Estavam constantemente três ou quatro câmaras a filmar-nos, livestreaming para o mundo inteiro, microfones, não é a mesma coisa que jogar na cozinha com os amigos.
Nessa noite tive oportunidade de jantar com o Ronaldo num sushi, eu fui operado à tiróide, ele tinha tido problemas de tiróide e ainda tivemos ali uma conversa engraçada de horas, entre poker e tiróide. Esquecendo a parte de bom ou mau jogador de poker, achei-o simpático e interessante. Nos dias seguintes cruzámo-nos duas ou três vezes, ele até pareceu um bocado tímido. Estava uma grande comunidade brasileira de férias no nosso hotel e pediam muitas vezes aos portugueses para servirem de intermediários nos pedidos para tirarem fotos com ele. Ele também foi à festa da PokerStars, e a meio do torneio ainda fez lá uma demonstraçãozinha com bola, a dar toques, porque alguém o desafiou. Ainda tem pé.


Fotógrafo há mais de uma década, pela sua lente passaram muitas das mais belas mulheres do nosso país. Hoje cumpre um sonho de adolescência, ao ser Publisher da Playboy Portugal.

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2 comentários sobre “Bernardo Coelho

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