Daniel Ramos

Num dos meus primeiros anos como treinador, devia ter uns 30 anos, era adjunto do António Luís no Vilanovense, fomos jogar a Braga contra o Braga B. Eles jogaram de vermelho e o Vilanovense de vermelho e preto, com predominância do vermelho. Estávamos no jogo e tínhamos três jogadores a aquecer. Ele vira-se para a zona onde estavam os jogadores a aquecer e começa:

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Pedro Paulos

Eu sou de Benfica desde pequenino. Eu sei, sei que a maior parte das pessoas que têm um clube nunca mudaram. É quase tabu a mudança de clube. Até há aquela frase que diz que uma pessoa pode mudar de uma porradona de coisas mas que mudar de clube está completamente fora de questão. Eu não tenho certeza em relação a esse assunto mas para mim sempre fez sentido ser do Benfica. Como

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Martelinho

Num Málaga-Boavista, para a Taça UEFA, estava a jogar a extremo e o Rui Óscar, o lateral direito, estava a ter alguma dificuldade na marcação ao Musampa. Ao intervalo, o Jaime Pacheco virou-se para nós e disse:
– Rui, vais sair, e tu vais para lateral direito para marcar o Musampa.

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Paulo de Carvalho

Quando eu andava a brincar, para mim a brincar, nas camadas infantis do Benfica, andei por lá, nós treinávamos muitas vezes contra os mais crescidos. Quando eles se magoavam vinham treinar com os miúdos até para que nós os conhecêssemos melhor e tal. E havia um desses jogadores da primeira categoria do Benfica, o Humberto Fernandes, um dos suplentes do Humberto Coelho e desse pessoal,

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Miguelito

Estávamos em estágio no Rio Ave e tinha sido contratado um jogador brasileiro, o Jader. O Paulo Lima Pereira gostava de fazer partidas e tratámos de praxar o Jader. Tínhamos sempre alguém no hotel que nos disponibilizava a chave para podermos entrar nos quartos. O Jader chegou, ficou sozinho num quarto e nós tratámos de lhe fazer partidas, uma das quais foi entrar no quarto dele e passar um

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Manuel Sérgio

Cumpre-nos a todos a humilde lealdade de nos aceitarmos como somos e pelo pouco que temos. Eu nasci em Lisboa, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, de família pobre, mas honrada; eram também católicos praticantes os meus pais e com particular afeição pelo Belenenses. Não é por isso de estranhar que, desde criança, seja o futebol o meu espetáculo favorito, nem que, nos textos que

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Cássio

Quando joguei no Arouca foi no primeiro ano do clube na I Liga. Nós jogávamos bem mas não conseguíamos vencer, então estávamos numa série de sete ou oito jogos sem vitórias no campeonato. No início de Dezembro jogámos contra o Marítimo e se calhar foi o nosso melhor jogo em casa, mas acabámos por perder 2-1. Acabou o jogo, o presidente deu-nos os parabéns pela boa

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Júlio Machado Vaz

Meu Pai era portista e sócio. Jogara nos infantis e era detentor de um pé esquerdo temível, mas os centímetros tinham-lhe virado as costas e o treinador decretara-o incapaz de suportar os choques (quem sabe se não perdemos um precursor do Chalana vestido de azul e branco?). Entalado por sogra, mulher e filho vermelhos – com que prazer utilizo palavra então suspeita… – aceitava o seu estatuto

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Pedro Barny

Uma das que me recordo que fazíamos sempre, no Boavista normalmente até era o Nelo que fazia, era esconder-se dentro do quarto de alguém, debaixo da cama ou no armário, com o comando da televisão, com outro que não aquele que estava disponibilizado no quarto, e esperar que os colegas chegassem para depois ir alterando os canais e o volume da televisão. Isso deu situações muito

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Luís Represas

Se “filho de peixe sabe nadar” fosse uma verdade incontestada, na nossa família teriam morrido “afogados” os três filhos postos no mundo pelos meus Pais. Amante de futebol, sócio 10958 do SLB, o meu Pai era daqueles que via o jogo na televisão depois de lhe desligar o som, seguindo atentamente o match pela Emissora Nacional. O relato radiofónico entregava-lhe na comodidade da casa a agitação

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César Peixoto

Num treino no Braga, tínhamos lá um miúdo que era o Stélvio, jogava a trinco, que estava a fazer um bom treino. Estava a fazer grandes passes, de trivela e tudo. Às tantas, o Jorge Jesus grita no meio do campo:
– Porra, Stélvio! Fazes com cada passe que pareces o Pilro.

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Tiago Machado

Desde muito pequenino comecei a dar uns toques na bola, lá na rua. Aos meus sete anos comecei a jogar nas Escolas do Estrela da Amadora na posição de lateral-esquerdo, treinado pelo mister Calado e mais tarde pelo mister Fernandes. Nessa altura chamavam-me o “Estrela”. Além dos treinos, sempre que podia ia jogar com os meus amigos no ringue lá da zona, horas a fio.

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Tiago Pereira

No ano em que joguei no Benfica tive como colega o Amaral, o coveiro, que era uma pessoa muito engraçada, uma figurinha mesmo. Houve um dia, no Verão, em que o Amaral levou umas bermudas vestidas. O normal no nosso dia-a-dia era aparecerem inúmeras coisas para os jogadores autografarem para os adeptos. Não me lembro quem foi, mas um jogador pegou nos calções do Amaral e juntou ao

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Nelson Nunes

Nunca fui lá muito convencional no gosto pelo futebol. As memórias aparecem-me à frente como se fossem fragmentos de um álbum de fotografias rasgado em pedaços. Devo ter despertado para a arte de dar pontapés certeiros numa bola aí pelos meus seis ou sete anos, com as partidas a que o meu padrasto assistia com afinco. Via-o sempre torcer pelos clubes mais fracos – menos quando jogava o

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Diogo Valente

No ano em que fui do Boavista para o FC Porto, em 2006/07, encontrei grandes jogadores. Alguns já conhecia da Selecção, como o Raul Meireles, o Bosingwa e o Quaresma, e tive grandes nomes como colegas. Fui muito bem recebido por todos, pelos capitães, na altura o Vítor Baía, o Pedro Emanuel, o Lucho também já era capitão, e, como é natural, durante os treinos e os estágios vamos criando uma

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Rui Dias

Depois de um dia muito cansativo a editar um filme nos estúdios Babelsberg, que ficam situados em Potsdam, nos arredores de Berlim, decido ir jantar uma sopa maravilhosa ao Monsieur Vuong, o melhor restaurante vietnamita em Berlim e para mim o melhor restaurante oriental do mundo, quando o meu telefone toca. Olho para o número e percebo pelo indicativo que não era alemão.

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Filipe Gonçalves

Decorria a época 2003/2004 e era o meu primeiro ano de sénior no S.C. Espinho, ainda que no ano anterior já fizesse parte do plantel com idade júnior. O treinador era Francisco Barão (actual treinador adjunto do Sporting B), treinador muito exigente e rigoroso. Na altura não jogava muito assiduamente, embora fosse visto como a grande promessa do clube, e era muito acarinhado por toda a gente no

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Tiago Góes Ferreira

Partimos numa segunda-feira, finais de Maio, com uma auto-caravana repleta de mantimentos, equipamentos, ideias, esperança e entusiasmo, muito entusiasmo. Os três (repórter, produtor e repórter de imagem) partilhávamos a mesma paixão e devoção pelo desporto rei. Em jeito de brincadeira, na viagem, para atenuar os quilómetros infindáveis, discutíamos as melhores tácticas e

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António Caetano

A primeira história que vou contar remonta aos meus tempos no Belenenses, no final da década de 90. Tínhamos uma equipa com elementos muito divertidos. Estou a lembrar-me do Rui Esteves, Calila, Lito Vidigal, Barny, malta que se relacionava muito bem e que entrava sempre nas brincadeiras.
No início da época fazíamos questão de fazer o baptismo aos jogadores que chegavam ao clube.

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Manuel Cardoso

“Então, puto. E essas férias com a mamã? Granda saco, não?”

Para um adolescente pré-adulto, passar férias com a mãe é algo que envolve prós e contras. Por um lado, o adolescente não está a gastar dinheiro e está a conhecer um país estrangeiro, come de forma gratuita iguarias que o tornarão mais cosmopolita, tem tempo para pensar nas suas angústias pós-

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